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Asa estruturada em balsa




            Existem inúmeras maneiras de se construir uma boa asa: desde isopor bruto cortado com o arco, até mesmo técnicas avançadas de infusão à vácuo com materiais compostos. No meio de tudo isso existe um modo clássico, a asa estruturada em balsa [e compensado], que é uma das maneiras mais tradicionais e usuais para aeromodelos comuns. O foco deste artigo é destacar as parte que compõe uma asa desta e sua importância estrutural.

            Tive a ideia deste tema há tempos, mas infelizmente não tinha uma asa aberta para ilustrar o artigo. Após a construção do Tractor 25 da Flying Circus ficou mais fácil, pois como fotografei passo a passo a montagem, tinha material de sobra para que vocês compreendessem melhor o tema.




            Devemos considerar que há vários tipos de estrutura para uma asa estruturada, este artigo tratará apenas sobre um deles. Isto não significa que ele é melhor ou pior que os outros, é só uma das maneiras. Apesar disso, muitas partes se mantêm em todos os tipos.

            Dá mesma maneira que fiz em temas anteriores, sugiro que vocês leiam os seguintes artigos anteriormente postados, pois iremos entrar um pouco na parte técnica, o pode confundir alguns aeromodelistas não familiarizados com o assunto:

            - Pontos de maior esforço no aeromodelo;
            - Construir com depron;
            - Técnicas de construção;
            - Asa empenada, voo torto.



            Nervura



            Se fosse possível definir uma das peças principais de uma asa, seria esta; digo isso, pois uma asa é um conjunto de partes que não funcionam sem as outras, cada qual tem sua importância estrutural.

            Um ponto importante é diferenciarmos o conceito de nervura e de perfil. Nervura é a parte estrutural da asa, a parte física que colamos ao construí-la; Enquanto perfil é o desenho/contorno da asa quando fazemos um corte transversal nela.

            Todas as nervuras de uma asa não precisam ser iguais, e muito menos possuírem a mesma espessura. Em asas enflexadas, por exemplo, cada nervura pode ter um tamanho. E em algumas outras, a asa pode possuir um perfil na raiz e outro diferente na ponta, causando nervuras totalmente diferentes.

            Sua principal função é definir o perfil da asa, pois praticamente todas as outras partes são fixadas ou moldadas por esta.


            Longarina



            É a espinha dorsal da asa, e junto com a nervura formam a estrutura primária de uma asa. Pode possuir várias formas, desde varetas, tubos, até mesmo tiras de compensado.

            Na grande maioria das vezes uma asa possui mais de uma longarina, para oferecer maior rigidez estrutural. Que podem ser dispostas na parte de baixo e de cima da nervura, geralmente em sua parte mais grossa, e também mais próximas ao bordo de fuga [da asa].

            Pode ser feita de balsa, madeira dura ou fibras; e junto com o chapeamento - que veremos mais a frente - é responsável pela asa não “bater palma” em voo (fechar).


            Bordo de ataque e de fuga



        A princípio pode parecer uma longarina, mas não é. Como o próprio nome diz: estes componentes são os bordos de ataque e fuga da asa.

            Não oferece tanta rigidez estrutural quanto às longarinas, apesar de colaborarem com esta, mas são de fundamental importância para o formato e perfil da asa. Sem eles a entelagem ficaria um pouco estranha, para não dizer impossível de ser feita.

            Geralmente o bordo de fuga é uma vareta retangular, que não necessita de muita lixa para ficar no formato correto; e o bordo de ataque é uma vareta quadrada que precisa de bastante lixa e capricho para chegar ao formato correto para o perfil.


            Chapeamento



            Se existe uma parte que não deixa a asa fechar é ele: o chapeamento, por isso deve ser muito bem colado. Geralmente é feito com chapas inteiras de balsa, e para asas grandes, pode ser necessário até emendar várias chapas até chegar ao comprimento correto. Vale lembrar que estas emendas não devem ser feitas de topo, e sim com encaixes para garantir uma boa resistência mecânica.

            A asa pode ser inteira chapeada, ou apenas entre a longarina principal e o bordo de ataque. Modelos que exigem grandes cargas usam asas chapeadas completamente, já aqueles para voo mais tranquilo, podem até não ter chapeamento.


            Baioneta



            Neste caso baioneta não é aquela faca que os soldado fixam na ponta das armas para combate corpo a corpo; e sim um tubo de alumínio - na maioria das vezes - usado para unir duas semi-asas.

            Com já disse, serve para unir as asas de maneira que não desloquem ou fechem. Claro que a baioneta não faz tudo isso sozinha, ela apenas fornece a resistência necessária, a parte de fixação é realizada por outros componentes.

            Em asas inteiriças, ela não é necessária, pois as longarinas já atravessam a asa de ponta a ponta.


            Complemento da longarina



            Para completar a resistência da asa, colasse algumas maneiras entre as longarinas principais, para evitar que a asa se compacte caso as nervuras deitem.

Apesar de pouco lembrada, este complemento é de fundamental importância. Um detalhe que sempre deve ser observado, é que as fibras da madeira devem estar dispostas na sua largura, e não no seu comprimento; contrariando o que costumamos fazer.


Complemento da nervura



São eles que completam a nervura para que toda a asa fique na altura do chapeamento, sua largura pode variar conforme o projeto. Em asas chapeadas completamente, eles não são necessários por motivos óbvios.


Fixação



Dificilmente vejo aeromodelos com asa integrada à fuselagem, isso acontece apenas para modelos bem pequenos. E o motivo é claro: facilidade para guardar e transportar.

E a partir do momento que a asa sai da fuselagem, precisamos de uma maneira de unir provisoriamente as duas partes. E a maneira mais fácil de fazer isso é utilizando parafusos.

Na maioria das vezes ele é parafusado diretamente na primeira nervura da raiz (com uma porca autocravante) por dentro da fuselagem, para asas baionetadas; e perpendicularmente à asa por baixo ou por cima do modelo para asas inteiriças.

Dependendo do avião, isso poderá ser feito de maneira diferente, e depende apenas da criatividade do construtor.


Comandos móveis



Se você estiver pensando que eu me esqueci do aileron e do flap está enganado. Eles são fixados à asa através de dobradiça, no mínimo três delas para aviões pequenos.

Sua estrutura não apresenta novidades, pois segue o modelo da asa: nervuras, chapeamento, bordo de ataque e longarinas.


Restringi-me às partes básicas, mas algumas asas ainda podem possuir berço para trem de pouso, alojamento para trem de pouso retrátil berço para montantes, ou o que mais a imaginação permitir.

Uma das principais vantagens da asa estruturada é possuir bastante ar em seu interior, o que significa que seu peso é bastante reduzido comparado às asas maciças.


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Espero que com este texto você tenha aprendido um pouco mais sobre as partes que compões a estrutura de uma asa em balsa. Caso ainda tenha qualquer dúvida, deixe seu comentário aqui embaixo!



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