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Planadores F5J e F3K



            O mágico voo silencioso encanta aeromodelistas desde o princípio do hobby. Nele não há margem para falhas, pois por não ter um motor disponível o tempo todo, como nos outros aeromodelos, todo movimento deve ser calculado para manter a integridade física do planador e psicológica do piloto.





            A dificuldade vai muito além do fato da motorização, pois os planadoristas, como gostam de serem chamados os pilotos desta modalidade, precisam ser profundos conhecedores das condições climáticas; para assim prolongar o quanto for possível o voo planado.

            A principal “fonte de energia” para voos de longa duração são as chamadas térmicas, ou massas de ar ascendentes. Exatamente aquelas em que os urubus ficam girando para minimizar esforços, inclusive, ver essas aves é uma das maneiras de descobrir onde há uma térmica. Porém, pilotos de alto desempenho conhecem tão bem as formações de nuvem e de terreno que consegue detectar esse tipo de formação sem a ajuda desses animais.

            Outra maneira de manter o voo por longos períodos é utilizar as encostas, ou morros. Esta técnica necessita de condições favoráveis do vento (direção e velocidade), pois aproveita a massa de ar ascendente gerada quando os ventos esbarram horizontalmente nos morros e ganham uma componente vertical.




            Os planadores possuem geometria própria de fuselagem e asa, inconfundível para os amantes do aeromodelismo. Asa alongada (grande proporção da envergadura em relação à corda da asa), fuselagem com pouco arrasto (aerodinâmica), e hélices retráteis, quando providos de motorização, são algumas delas. Além de sua principal característica: perder pouca altura em relação à distância percorrida quando sem propulsão, isto é, planar muito bem.

            No Brasil, o planadorismo é relativamente popular, com suas várias modalidades de voo competição, em que as mais populares são as categorias F5J e F3K. E sobre elas que daremos uma ênfase maior:



F5J



            É composta por planadores elétricos termais de duração, ou seja, o planador sobe com a ajuda de um motor que é desligado o quanto mais baixo possível para pontuar mais. Este quesito é um dos mais importantes e exige uma boa dose de estratégia e coragem por parte do competidor, pois após cortado o motor não pode mais ser religado em voo.

            Para fazer o desligamento automático do motor o modelo deve estar equipado com um altímetro (medidor de altura) e timer especialmente projetado para a categoria, que é de uso obrigatório. Esse mesmo equipamento também registra a maior altura alcançada até 10s depois do motor ter sido cortado.




            O tempo de trabalho é de dez minutos, o tempo de voo deve caber dentro dessa janela, assim sendo, um voo perfeito consiste em: corte de motor a baixa altura, pouso no alvo e tempo de voo 9m59s.

            Praticamente qualquer planador pode participar, o que a torna uma categoria muito popular entre os iniciantes e experientes, para isso basta atende a alguns critérios como: envergadura máxima de 4m e Carga alar entre 12 e 75 g/dm².

            Os voos mais espetaculares são iniciados com um corte de motor a 10m de altura e a partir daí um voo de dez minutos, ganhando altura com térmicas e administrando o tempo.

            A pontuação final é a soma do tempo de voo, com o pouso de precisão e com a altura do corte de motor. O que exige uma apurada estratégia para escolher o que é mais vantajoso para a situação, trocando um quesito que pontua menos por outro que pontue mais, caso necessário.

            O critério de desempate é a altura, para isso vale ter grande ousadia para cortar o motor, principalmente nos voos finais.


F3K

            É composta por planadores multitarefa (baseadas em tempo) de lançamento manual. O lançamento deve ser feito pelo próprio piloto, dentro de um quadrado exclusivo, onde também deve ocorrer o pouso; o cronômetro é parado assim que o planador toca o chão, ou o piloto. Cada piloto pode utilizar até cinco modelos na mesma competição.

             A bateria deve ser realizada com no mínimo cinco participantes, e cada um deve voar no mínimo cinco baterias, preferencialmente com adversários diferentes. Como na F5J, a nota também é normalizada, recebendo 1000 o melhor voo da bateria, e os outros pontuam proporcionalmente.

            A limitação do planador é dada pelas seguintes regras:

            - Envergadura máxima 1,5m;
            - O ponto de lançamento manual deve estar localizado em qualquer ponto da fuselagem, fazer parte da estrutura do modelo, e não pode ser retrátil.


            Cada piloto tem um tempo definido para realizar cada tarefa: 10 minutos, e após isso, mais 30s adicionais para pousar seu modelo.

            Por se tratar de uma competição de lançamento manual, a habilidade e o preparo físico contam bastante. A dinâmica dos voos é tipo “catch”: o piloto “pousa” já pegando o modelo pela ponta da asa, faz um giro e lança o planador novamente, tudo isso em menos de 1s. O modelo sai a mais de 140 km/h da mão do lançador e pode subir até 70m.

            O equipamento para competir é relativamente simples, já que somente um transmissor e um planador são necessários. Os modelos são estilo Fórmula 1 - com estruturas de carbono (super leve e aerodinâmicos) – e também são extremamente ágeis e manobráveis, para voos baixos e pousos precisos.

            Ao todo a categoria possui 10 “tasks” (tarefas), porém a organização pode escolher apenas algumas conforme as condições climáticas e o tempo disponível no dia. O interessante das tasks é que cada uma favorece uma habilidade – por exemplo: pouso, lançamento veloz, estratégia. Algumas delas são:


Todos decolam, último a pousar:

            Nesta tarefa todos os competidores decolam no mesmo instante. O tempo máximo de voo medido é 180s (3min), o número de lançamentos é definido pela organização é fica entre três e cinco, entre os voos é previsto tempos para pouso e preparação. A pontuação é a soma de todos os tempos marcados de cada competidor.


Incremento de 15 segundos:

            Cada competidor tem um número ilimitado de lançamentos para conseguir realizar um voo no tempo mínimo determinado, começa com um voo de 30s e vai incrementando 15 segundo a cada marca anterior alcançada, como: 45s, 60s, 75s, 90s, 105s e 120s. A pontuação da tarefa é a soma de cada tempo definido dos voos completados.


Três últimos voos:

            Cada piloto tem um número ilimitado de lançamentos, sendo os três últimos tempos de voos somados e resultam na nota, cada voo é limitado em 180s (3min).



            Confira aqui as fotos do campeonato de F5J de 2016 que aconteceu na cidade de São Carlos, interior de São Paulo.

Apesar de voar sem motor parecer monótono em um primeiro momento, as competições são bem acirradas e emocionantes até o último segundo.


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3 comentários:

  1. Boa tarde....Tenho acompanhado no Youtube o vídeo que fez com o Alexandre Cruz sobre a categoria e achei bem interessante, uma vez que tenho um motoplanador AX com 1,80 mt de envergadura e gostaria de testar essa modalidade onde voo..Gostaria de saber onde encontro esse altimetro Altis V4 aqui no Brasil...Rigon

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    1. Tente no Grupo do Facebook "F5J Brasil".

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    2. http://www.espritmodel.com/aerobtec-competition-recording-altimeter-switch-altis-v4-fai-f5j.aspx

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