Páginas

Desengate para planador (instalação)



          Planadores são um show à parte, tanto com sua lisura de voo, quanto pela habilidade demonstrada pelo piloto ao voar sem o auxílio de motores. Porém, para manter o voo é necessário algo ou algum sistema que forneça uma energia inicial ao modelo.

Uma das maneiras de se fazer isso é rebocando, que não é nada mais do que amarrar o planador atrás de um aeromodelo motorizado e puxá-lo para cima; mas chegando lá, é necessário desacoplar um aero do outro.

            Neste artigo mostrarei a instalação do sistema de desengate apenas do planador, já que por segurança é bom ter um sistema para emergências no rebocador também.




      O planador utilizado foi um Salto H-101, fabricado pela Fly Fly, com 2,7m de envergadura e fuselagem em fibra de vidro. Comprei usado de um amigo e ficou parado por longos meses em casa, até a vontade de montá-lo ressurgir. Espero que ele ainda apareça bastante por aqui !

            Por ser o sistema de instalação mais complexa do modelo, resolvi instalar primeiro, o que se mostrou uma excelente escolha posteriormente.

        Já tinha conhecimento de que a caverna que suporta a roda do trem de pouso principal estava solta, porém imaginava que o problema iria apenas até ali. Lido engano, TODAS as cavernas estavam soltas, não sei qual a cola utilizada pelo fabricante, mas não valem nada.

O que era para ser um problema, na verdade foi minha salvação, pois caso todas estivessem bem fixadas, a instalação seria pelo menos dez vezes mais difícil, devido ao espaço extremamente restrito do nariz do modelo.

            Como era possível, o primeiro passo foi desmontar todas as madeiras do trem de pouso para a frente, deixando o nariz totalmente livre para a instalação do sistema. Mesmo assim entrava apenas uma mão com dificuldade, sendo praticamente impossível o movimento pinça (polegar e indicador) na pontinha do nariz.

           Também foram retiradas algumas barras de chumbo que totalizaram 250g e estavam coladas com fita dupla face. Claro que depois de tudo pronto, boa parte delas irá voltar.

         Com tudo limpo chegou o momento de furar o nariz, o único detalhe aparente do sistema, e que por isso deveria ser feito com imenso cuidado. Pois caso a pintura trincasse, a marca ficaria a mostra.

            Iniciei fazendo uma pequena marcação com o estilete onde deveria ser o centro do furo. Como a superfície do nariz não era regular e muito menos simétrica, errei a primeira marcação, porém, como utilizo o princípio do “meça duas vezes e corte uma”, nenhum dano ocorreu. Reanalisei visualmente a centralização do furo por vários ângulos e fiz uma nova marcação de centro, aquele que seria a definitiva.




            O diâmetro externo do sistema de desengate era quase 8mm, nestas horas que um paquímetro faz toda a diferença no trabalho. Peguei uma broca ligeiramente menor para o furo definitivo, e uma do 6mm para o furo inicial.

            Nunca, mas nunca faça o furo diretamente com a broca certa, comece sempre com uma broca menor; aprendi isso na raça após anos e anos furando parede com o diâmetro maior que o desejado.




           Com muita calma fui furando para que a broca não vibrasse, até que o furo estivesse concluído. Na minha inocente cabeça pensei que o pior já tinha passado, mas longe disso, no final esta foi uma das partes mais fáceis.

            Apenas o dispositivo instalado no nariz do modelo ficaria muito frágil, para reforçar resolvi fazer um outro “calço” em compensado. Porém, eu tinha um grande problema em mãos: como pegar o perfil interno do nariz para fazê-lo no formato correto ?




           Minha melhor opção era recortar um perfil aproximado em depron, encaixá-lo no lugar e fazer os ajustes necessário até que ficasse com um formato aceitável. E assim fiz, depois de umas cinco repetições o depron estava ao menos aceitável para a função. Pela união da fuselagem ser feita em cima e embaixo, e não ser perfeitamente lisa, precisei deixar ali um rebaixo.




            Chegou a hora de passar o contorno para a peça definitiva, escolhi um compensado bem rígido com 4mm de espessura. Lembre-se que peso não é um problema, pois havia 250g de lastro no nariz anteriormente.

           Com a peça de compensado precisei fazer um novo acerto de perfil antes de marcar a centralização de seu furo. Para isso encaixei o compensado na posição correta, e com uma caneta hidrográfica fiz um ponto através do furo da fuselagem. Novamente furei com duas brocas para que ficasse exatamente com 8mm de diâmetro.

            Tudo estava furado, porém o compensado ainda estava mais de 1 cm atrás de onde deveria, para oferecer um maior reforço. Fui desbastando seu contorno até que chegasse na posição desejada.






      O sistema estava pronto, restava apenas misturar a epóxi e juntar tudo. Como o compensado ficou muito perto da ponta do sistema, era mecanicamente impossível montar o desengate fora e depois encaixar tudo de uma fez, pois assim não seria possível colocar cola na ponta do nariz, deixando ali um ponto de provável quebra devido aos solavancos do reboque.

        Precisei tomar a difícil decisão de montar o sistema depois de colado em um local extremamente confinado, mas era a única opção viável para a qualidade desejada.




          Encaixei o desengate no nariz do planador, passei fita adesiva (Durex) em volta pelo lado de fora para que a cola não vazasse, misturei a epóxi 30 minutos e comecei a jogá-la em volta de tudo. Quando de repente me veio um pensamento à cabeça: se a epóxi secar com o desengate torto, nunca mais encaixo o reforço em compensado.




            Foi aí que resolvi encaixar o compensado e deixar apenas a quantidade de epóxi já colocada no nariz, espero que não me trague problemas. Coloquei o Salto na vertical com o nariz para baixo para que a cola ficasse toda concentrada no devido lugar.




          Depois de bem seco, apenas coloquei mais epóxi, porém agora no compensado, para que todo o sistema ficasse firmemente fixado ao nariz.
           
        Os problemas nunca acabam. A intenção era deixar esta segunda colagem secar bem, para depois montar o sistema com tudo fixado. Mas quando olhei bem para o desengate, percebi que tinha caído um pouco de cola na abertura que fica o pino. Imediatamente peguei um “ferrinho de dentista” e limpei o que pude. Para não correr mais risco, já iniciei em seguida o processo de montagem.




           Esta sim foi a etapa mais difícil, pois precisava encaixar um pino extremamente justo tanto na parte externa quanto no próprio gancho que faz a retenção do cabo.

       Coloquei o pino com um alicate no furo mais “frouxo”, posicionei o gancho corretamente olhando pela frente e por trás, apertei o pino até que encontrasse o outro furo. Para se ter ideia de quão apertado era, não consegui apertar o alicate com a mão por dentro da fuselagem; precisei apertar um lado por dentro, e o outro apoie na lateral do modelo e apertei por fora.




Apesar de estar descrito brevemente, este trabalho levou horas, pois em um momento o pino caía do alicate, em outro não encaixava corretamente. Após muitas tentativas obtive êxito na difícil operação. Como disse no começo, utilizar a mão não era uma opção válida, pois apenas o indicador e o dedo médio chegavam na ponta de fuselagem.

Neste ponto a maior e mais difícil parte já havia passado, restando apenas prender a linkagem antes de recolar a caverna mais próxima e não ter mais acesso adequado ao local.




Utilizei um raio de bicicleta simples para fazer esta linkagem, na ponta roscada coloquei um clévis, e na outra fiz um Z. Precisei deixa com o comprimento aproximadamente correto, pois depois de montado não haveria ajuste de comprimento, apenas via “end point” do rádio.

Como este é um comando Liga/Desliga, e não proporcional, o alinhamento da roseta do servo não é tão crítico, precisando apenas ter curso suficiente para conseguir acionar e desacionar.

       Além destas fiz várias outras modificações no planador deixando-o dentro do meu padrão de qualidade, mas como o tema deste artigo é a instalação do desengate, ficamos por aqui.

         Espero que tenha gostado, e aprendido pelo menos uma maneira de realizar trabalho difíceis em locais confinados.


       Quer ser avisado de todas as nossas postagens? Cadastre seu e-mail aqui.



       Se você ainda ficou com alguma dúvida sobre o procedimento, ou está com dificuldade para realizar um trabalho semelhante, deixe seu comentário aqui embaixo !!!



0 comentários:

Postar um comentário

Related Posts Plugin for WordPress, Blogger...