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Glow ou gasolina?



            Somente quem experimentou a emoção de voar um aeromodelo combustão sabe como é: abastecimento, regulagem, partida... Tudo isso faz parte da sua rotina, além, é claro, do som inconfundível de um motor à explosão. O complicado para muitos é na hora da escolha, qual o melhor: glow ou gasolina? E é sobre isso que vamos falar neste artigo.

            Este tema é delicado, pois varia muito conforme a opinião pessoal, e por isso deixo claro desde o começo: o melhor para você é aquele que se encaixa nos seus recursos e objetivos.





            Acho importante deixarmos as unidades de medida bem definidas. Para motores glow utilizamos polegada cúbica, e a representamos da seguinte maneira: .46; .90; 1.20 ou 2.40, por exemplo. Já para motores gasolinas falamos em cilindradas, ou seja, centímetros cúbicos, por exemplo: 10cc; 55cc ou 170cc. Portanto, um motor .90 não significa 90cc; muito pelo contrário, em termos de equivalência de potência, um motor .90 equivale a um 15cc.

            Há uns 10 anos, motores gasolina eram apenas para aeromodelos grandes, os famosos giants; e seus modelos eram a partir de 50cc. Daí pra baixo o aeromodelo precisava ser glow.

            Hoje a situação é diferente, existem motores gasolina com 10cc muito confiáveis, da mesma maneira que existe motor glow 2.00 de igual confiança. Por isso, a escolha passou de restrita, para extremamente ampla, isso sem falarmos na motorização elétrica.


            Glow

            Por existir desde os primórdios do aeromodelismo, sua tecnologia é bem desenvolvida e seu funcionamento estável, por isso necessita de conhecimentos mais simples para fazer com que funcione. Possui um preço de aquisição relativamente baixo.

            Sua principal vantagem é não precisar de nenhum acessório embarcado para funcionar, ou seja, o avião precisa ter apenas o motor, tanque de combustível e um servo para acionar o carburador. Simples, prático e leve.

            Para a partida é necessário apenas um aquecedor de vela (ni-starter), que é basicamente uma bateria de 1,5V que faz a vela “acender” para que ele possa entrar em funcionamento, após isso o aquecedor já pode ser desconectado. Mas é altamente recomendável o uso de um bastão para girar a hélice, e não o dedo, pois ela pode girar de maneira inesperada e ferir gravemente seu dedo. Caso queira, pode utilizar um motor de partida externo (starter), que é encaixado no spinner e gira a hélice até que o motor ligue.

            O maior problema do motor glow é o combustível, pois o mesmo é cancerígeno e altamente tóxico, por isso deve se evitar ao máximo o contato com a pele e mucosas (boca, olho...). Além disso, o seu preço alto comparado a outros, perto de 150 reais por um galão de 3,7l (2016), e pode variar conforme o tipo de glow – quantidade de nitrometano e óleo.

            É possível encontrar o combustível, que é geralmente importado, em praticamente qualquer loja de aeromodelismo.

            Outro problema é a sujeira por ele causada, o aeromodelo fica sujo de óleo do escape para trás, e para limpar é necessário gastar algum tempo, senão o banco do seu carro ficará todo oleoso. Ou seja, nunca vá voar sem álcool para limpeza e um rolo de papel (toalha ou higiênico).

            Seus tamanhos mais usuais vão de .10 a 1.50, o que oferece grande variedade para substituir um elétrico ou gasolina, porém geralmente o escapamento original (mufla) não se dá muito bem com aeromodelos escala por ficar totalmente exposto estragando a aparência. A solução para isso é comprar um escapamento tipo “Pitts” e mantê-lo dentro da carenagem.

            Precisar de regulagem antes de voar é comum, mas de fácil execução para aeromodelistas com alguma experiência, pois o nitro no combustível permite uma grande variação no ponto da agulha sem apresentar grandes problemas de funcionamento.


            Gasolina

            Como sua vela (comumente) é acionada por faísca (como a de carro), necessita de um sistema de ignição, que é composto por: Ignição, chave e bateria. E em alguns casos pode ter até 60% do peso do motor em si. Seu preço é quase o dobro de um motor glow equivalente.

            Por possuir um sistema de ignição embarcado, para sua partida não é necessário nenhum tipo de acessório, e pela vela ser acionada somente quando o pistão está em determinado ponto, a chance de um contragolpe do motor acertar seus dedos é quase nula.

            O combustível recomendado é gasolina Pódium ou Avgas com óleo específico para motor dois tempos, por causa da baixíssima qualidade da gasolina comum de posto, ela não é recomendada. O custo da gasolina é de 4 a 8 reais por litro, e o do óleo de 30 a 100 reais o litro, dependendo diretamente de qual você prefere. Por não ser vendida em qualquer posto – principalmente no caso da Avgas, que só é encontrada em aeroclubes – pode ser difícil de comprá-la, ainda mais em cidades interioranas.

            O aeromodelo fica pouco sujo, pois grande parte do óleo também é queimada na combustão. Motores em amaciamento geram mais sujeira que os amaciados, porém ainda é quase nada comparado aos motores glow.

            A motorização possui uma grande gama de tamanho, indo de 10cc (equivalente a .55) até mais de 200cc, para aeromodelos gigantes. Alguns modelos de motores (linha DLE RA) possuem saída traseira para o escape, o que deixa o aeromodelo com uma boa aparência por não precisar cortar grandes partes do cowl.

            Pela regulagem ser pouco sensível às variações de pressão e temperatura do ar, não é necessário regular a cada voo, mas ainda sim é recomendável verificar seu correto funcionamento antes da decolagem. Porém para deixá-lo regulado é um pouco mais difícil, e exige maior perícia.


            Depois que apresentei suas vantagens e desvantagens vou dizer minha opinião: gasolina sempre. Escolhi isso, pois acho um absurdo o valor cobrado por um galão de glow. Apesar do motor gasolina ser mais caro, isso é rapidamente revertido com a economia no combustível que posso comprar em um posto da cidade.

            Outra boa vantagem é não precisar de aquecedor de vela e nem bastão de partida, é mais prático ir à pista apenas com rádio e avião. E de brinde ainda não suja muito o avião. Uma grande tendência que eu vejo é a popularização do motor gasolina, em contra partida, a diminuição do uso de motores glow.


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            Espero que com este resumo você já esteja mais informado para escolher qual motor à combustão utilizar. Caso ainda tenha alguma dúvida, deixe seu comentário aqui embaixo!



10 comentários:

  1. gostei ,acho que os glow ainda saõ de aquisiçao mais assessivel devido ao seu preço mais ainda vou chegar nos motores a gasolina.

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    1. Apenas para registrar a mesma opinião, e principlamente que me chamo Fernando José, rsrsrs

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  2. Belo post! Contudo vale observar que a "ditadura" da gasolina aditivada ou avgas é lenda. Tenho motores gasolina em todas as faixas de cilindradas que funcionam perfeitamente com a gasolina comum, de posto, com um bom óleo sintético. Inclusive os motores Saito já saem de fábrica levando em consideração a proporção do álcool (etanol) adicionado na nossa gasolina. A avgas é mais "poderosa", mas o teor de chumbo que ela contém prejudica os eletros da vela e diminui a durabilidade do motor. Ainda nesse aspecto dos gasosa, não há regra determinada, ou seja, cada um piloto mais experiente, detém a receita do "doce-de-leite" da vovó (mistura da gasolina + óleo de sua preferência). Muito legal o site!!! SILVIO AGOSTINI/MG

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    1. Sílvio, concordo em partes com você.
      Sem dúvida não temos a gasolina correta (pura) para esses motores no Brasil, infelizmente. Isso não tenho dúvida.
      Gostaria muito de acreditar que nossa querida gasolina de posto contém APENAS álcool+gasolina, mas você deve saber que misturam inúmeras porcariadas junto, inclusive água. Um dos motivos de se utilizar AvGas ou Podium - que é uma gasolina premium, e não aditivada - é tentar fugir dessas misturas irregulares; principalmente pela AvGas ter um controle maior por ser para aviação. Pesquise sobre os tipos de gasolinas que temos nos postos que vai entender melhor.
      Acredito que o manual de instrução seja uma "regra" sim, portanto há especificação de óleo segundo o fabricante. Mas claro que o piloto pode não seguir.
      Obrigado pelos elogios, abraços.

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  3. 0lá gente,
    recentemente adquirir um YAK 55m 27% com DLE 30cc, esta tudo na caixa ainda,
    pois preciso comprar o radio control, a minha pergunta é voces me indicam qual o radio que devo conprar?

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    1. Sem pre indico rádio de grandes marcas: Futaba, Jr, Spektrum e Hitec. O modelo mínimo seria um de 6 ou 7 canais, mas qual rádio exatamente vai depender do seu orçamento para isso.

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  4. Parabéns pelo artigo, sou Puruca estou há 2 anos no hobby mais por enquanto somente nos elétricos, mas sempre tive o sonho de possuir um aero a combustão principalmente pelo barulho, essa duvida sobre glow ou gasolina me assolava desde o inicio, mas agora já sei que motor escolher, obrigado e parabéns pelo site.

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  5. Voo, glow ha 18 anos, mas depois desses depoimentos, vou experimentar um a gasolina, pois retirar do aero o óleo que não é queimado é dose...

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  6. Gostei do texto, tuas matérias são sempre oportunas, mas faltou comentar; que já existem motores à BioEtanol que usam álcool anidro(que não faz mal a saúde, nem à humana e nem a do planeta) + óleo de ríncino, feitos pela O.S. nos tamnhos .35 / .55 / .75 / 1.20 , assim como também já existem motores, também feitos pela O.S. que funcionam à gasolina sem necessitar de sistema de ignição, ou seja, com vela aquecida igual ao glow. É possível verificar no site da O.S. Engines/jp.
    Ainda tenho que registrar que toda gasolina vendida no Brasil possui àlcool etílico. A gasolina comum 28%, e as Premium, Podium e VRacing 23% , e além de serem também aditivadas, possuem menor quantidade de enxofre, o que gera menor resíduo na queima. A gasolina comum além de ter mais álcool etílico possui mais enxofre. Pode ser consultado nos sites das dietribuidoras de combustíveis, como a Petrobrás, Ipiranga ou Shell. Abraço.

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    1. Obrigado pelos elogios Heitor.
      Concordo com você, há outras opções de motorização. Porém é difícil para mim indicar um lançamento, concorda? Os motores gasolina sem ignição acabaram de chegar no mercado, praticamente ninguém os usou ainda. Quem sabe daqui um ou dois anos já tenhamos um conceito formado sobre esta nova tecnologia, que sinceramente espero que funcione bem e fique mais barata.
      Motores BioEtanol são outra incógnita, em todo o meu tempo de hobby vi poucos pelas pistas, e apenas um dono que o amava, todos os outros reclamavam da dificuldade em regular (principalmente por ser diferente dos glows convencionais).
      As experiências que busco passar aqui no site são reais, não invento nada, quando digo que lenhei por tal motivo, realmente foi o que aconteceu. Por isso as vezes restrinjo os temas para área do meu conhecimento. Espero ver em breve um OS gasolina desse de perto para passar para vocês minha opinião.
      Abraços e bons voos,

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