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CONHEÇA O MOTOR GLOW POR DENTRO

Veja quais são as partes, a função de cada uma e seus principais problemas

IMAC, PRECISÃO ESCALA

Conheca mais sobre uma das principais categorias de acrobacia com aeromodelos

EXPERIÊNCIA COM A FEDEX

Após fazer uma compra na China, a encomenda chegou em 5 dias em casa, mas... SURPRESA !!!!

O TAMANHO IDEAL DA PISTA

Todos tem essa dúvida no momento de criar um campo de voo

Consertando um Rádio Futaba em casa



            Considero o rádio transmissor o equipamento mais importante quando pensamos em segurança de voo, e por isso, ter um rádio em perfeitas condições é primordial para evitar problemas.  E ao final deste artigo vocês vão perceber que falta de informação custa caro.




            Certo dia, o Micael - que já apareceu algumas vezes comigo lá no nosso canal do You Tube – resolveu comprar um novo rádio, pois o seu antigo estava apresentando alguns problemas graves. Pesquisou bastante, e encontrou um Futaba 14SG usado.

            Depois de muito conversar com o vendedor, o Micael descobriu que o motivo da troca seria o Firmware instalado no rádio (V2.0), pois o até então dono do rádio tinha medo de atualizar, e queria o mesmo rádio com uma versão mais nova (V6.0). Hoje está na V7.0.

            Pelo menos este foi o “motivo” dele, que eu não acredito até hoje, pois o rádio apresentava, também, outros defeitos bem mais graves que um simples Firmware desatualizado:

            O suporte da antena estava quebrado, o que a fazia cair de vez em quando, mas não interferia em seu sinal de transmissão. Apesar do rádio funcionar perfeitamente com isso, considero um defeito.

            E o outro problema eram os botões “Touch Screen”, que insistiam em não funcionar com grande frequência. Acredito que este tenha sido o real motivo da venda do rádio: o problema no botão. Mas isto seria detectado por nós apenas mais tarde.

            Para muitos, inclusive o vendedor, isso seria suficiente para condenar um rádio e “passar o problema para frente”, enganando o comprador. Exatamente por este motivo já escrevi um artigo recomendando boas práticas ao se comprar equipamento para aeromodelismo de segunda mão.

            Bem, vamos deixar os adjetivos deste vendedor de lado e focar no conserto do rádio.

            Assim que o Micael comprou o rádio, já trouxe aqui em casa para eu dar uma olhada. Expliquei para ele que este “medo” de atualizar o rádio é besteira, e que eu mesmo já havia feito o procedimento no meu rádio mais de uma vez, inclusive gravei até um vídeo mostrando como se faz.

            Foi aí então que comecei a mexer no rádio, e percebi como os botões estavam ruins: hora funcionavam, hora não. Trocar fisicamente é um procedimento mais complicado, principalmente por não se ter o botão disponível.

Mas pensei uma solução alternativa: por que não tentamos atualizar o rádio, algo que já seria feito de qualquer maneira, e observamos se o botão melhora? Pois pode ser apenas uma incompatibilidade entre Firmware (programa) e Hardware (componentes físicos).

Dito e feito, assim que atualizamos, todos os botões passaram a funcionar corretamente, inclusive conseguimos entrar na Função “Teste de alcance”, o que anteriormente não era possível.

Pronto, o pior problema estava resolvido, e de uma maneira muito mais simples do que imaginávamos. Agora bastava trocar a antena do rádio.




Felizmente o Claudião, grande amigo meu, tinha algumas novas guardadas em casa, pois certa vez sua antena também quebrou. Quando ele entrou em um site estrangeiro para comprar, se confundiu e acabou comprando 3 peças. Uma ficou para o rádio dele, e outra, um bom tempo depois, para o rádio do Micael.

Sei que muitos pilotos têm pavor de abrir o rádio, mas isso é um procedimento muito simples, basta ser feito com calma.




A troca foi muito simples: bastou retirar um detalhe que recobre a antena e a tampa traseira para acessar a conexão do fio da antena e a base de seu suporte.

Ela não é parafusada nem nada, apenas encaixada por uma trava que permite sua articulação. Por isso bastou empurrá-la para fora e soltar seu fio. Algo extremamente fácil de ser feito.

Colocamos a nova antena e fechamos tudo como estava anteriormente. Claro que antes de decolar fizemos o famoso teste de alcance corretamente, pois de nada adianta fazê-lo de maneira errada.

Veja a fotos da antena quebrada (em cima), e da antena nova (embaixo):





Este caso me deixou algumas lições:

A primeira delas é: cuidado de quem se compra equipamento usado, principalmente rádio. Porque na grande maioria das vezes não é possível saber se o equipamento está funcionando corretamente, e quando descobrir pode ser tarde demais. Eu particularmente não gosto de comprar rádio usado, receptores e outros equipamentos sempre compro.

Segunda: O conserto muitas vezes pode ser bem mais simples do que você imagina. E com um pouco de conhecimento é possível economizar bastante tempo e dinheiro fazendo você mesmo. Claro que, algumas vezes pode ser necessário enviar para a assistência técnica.

E terceiro: Mantenha seu rádio atualizado, pois pode evitar muitos problemas. Se você é prevenido, espere algum tempo após sair o novo Firmware para atualizar o seu equipamento, pois a nova versão pode ter saído com alguma incompatibilidade; e tenho certeza que você não gostaria de ser a cobaia para testar.



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O que achou deste artigo? Um belo relato de manutenção, não foi? Você já passou por alguma situação parecida? Deixe seu comentário aqui embaixo !!!



Desengate para planador (instalação)



          Planadores são um show à parte, tanto com sua lisura de voo, quanto pela habilidade demonstrada pelo piloto ao voar sem o auxílio de motores. Porém, para manter o voo é necessário algo ou algum sistema que forneça uma energia inicial ao modelo.

Uma das maneiras de se fazer isso é rebocando, que não é nada mais do que amarrar o planador atrás de um aeromodelo motorizado e puxá-lo para cima; mas chegando lá, é necessário desacoplar um aero do outro.

            Neste artigo mostrarei a instalação do sistema de desengate apenas do planador, já que por segurança é bom ter um sistema para emergências no rebocador também.




      O planador utilizado foi um Salto H-101, fabricado pela Fly Fly, com 2,7m de envergadura e fuselagem em fibra de vidro. Comprei usado de um amigo e ficou parado por longos meses em casa, até a vontade de montá-lo ressurgir. Espero que ele ainda apareça bastante por aqui !

            Por ser o sistema de instalação mais complexa do modelo, resolvi instalar primeiro, o que se mostrou uma excelente escolha posteriormente.

        Já tinha conhecimento de que a caverna que suporta a roda do trem de pouso principal estava solta, porém imaginava que o problema iria apenas até ali. Lido engano, TODAS as cavernas estavam soltas, não sei qual a cola utilizada pelo fabricante, mas não valem nada.

O que era para ser um problema, na verdade foi minha salvação, pois caso todas estivessem bem fixadas, a instalação seria pelo menos dez vezes mais difícil, devido ao espaço extremamente restrito do nariz do modelo.

            Como era possível, o primeiro passo foi desmontar todas as madeiras do trem de pouso para a frente, deixando o nariz totalmente livre para a instalação do sistema. Mesmo assim entrava apenas uma mão com dificuldade, sendo praticamente impossível o movimento pinça (polegar e indicador) na pontinha do nariz.

           Também foram retiradas algumas barras de chumbo que totalizaram 250g e estavam coladas com fita dupla face. Claro que depois de tudo pronto, boa parte delas irá voltar.

         Com tudo limpo chegou o momento de furar o nariz, o único detalhe aparente do sistema, e que por isso deveria ser feito com imenso cuidado. Pois caso a pintura trincasse, a marca ficaria a mostra.

            Iniciei fazendo uma pequena marcação com o estilete onde deveria ser o centro do furo. Como a superfície do nariz não era regular e muito menos simétrica, errei a primeira marcação, porém, como utilizo o princípio do “meça duas vezes e corte uma”, nenhum dano ocorreu. Reanalisei visualmente a centralização do furo por vários ângulos e fiz uma nova marcação de centro, aquele que seria a definitiva.




            O diâmetro externo do sistema de desengate era quase 8mm, nestas horas que um paquímetro faz toda a diferença no trabalho. Peguei uma broca ligeiramente menor para o furo definitivo, e uma do 6mm para o furo inicial.

            Nunca, mas nunca faça o furo diretamente com a broca certa, comece sempre com uma broca menor; aprendi isso na raça após anos e anos furando parede com o diâmetro maior que o desejado.




           Com muita calma fui furando para que a broca não vibrasse, até que o furo estivesse concluído. Na minha inocente cabeça pensei que o pior já tinha passado, mas longe disso, no final esta foi uma das partes mais fáceis.

            Apenas o dispositivo instalado no nariz do modelo ficaria muito frágil, para reforçar resolvi fazer um outro “calço” em compensado. Porém, eu tinha um grande problema em mãos: como pegar o perfil interno do nariz para fazê-lo no formato correto ?




           Minha melhor opção era recortar um perfil aproximado em depron, encaixá-lo no lugar e fazer os ajustes necessário até que ficasse com um formato aceitável. E assim fiz, depois de umas cinco repetições o depron estava ao menos aceitável para a função. Pela união da fuselagem ser feita em cima e embaixo, e não ser perfeitamente lisa, precisei deixar ali um rebaixo.




            Chegou a hora de passar o contorno para a peça definitiva, escolhi um compensado bem rígido com 4mm de espessura. Lembre-se que peso não é um problema, pois havia 250g de lastro no nariz anteriormente.

           Com a peça de compensado precisei fazer um novo acerto de perfil antes de marcar a centralização de seu furo. Para isso encaixei o compensado na posição correta, e com uma caneta hidrográfica fiz um ponto através do furo da fuselagem. Novamente furei com duas brocas para que ficasse exatamente com 8mm de diâmetro.

            Tudo estava furado, porém o compensado ainda estava mais de 1 cm atrás de onde deveria, para oferecer um maior reforço. Fui desbastando seu contorno até que chegasse na posição desejada.






      O sistema estava pronto, restava apenas misturar a epóxi e juntar tudo. Como o compensado ficou muito perto da ponta do sistema, era mecanicamente impossível montar o desengate fora e depois encaixar tudo de uma fez, pois assim não seria possível colocar cola na ponta do nariz, deixando ali um ponto de provável quebra devido aos solavancos do reboque.

        Precisei tomar a difícil decisão de montar o sistema depois de colado em um local extremamente confinado, mas era a única opção viável para a qualidade desejada.




          Encaixei o desengate no nariz do planador, passei fita adesiva (Durex) em volta pelo lado de fora para que a cola não vazasse, misturei a epóxi 30 minutos e comecei a jogá-la em volta de tudo. Quando de repente me veio um pensamento à cabeça: se a epóxi secar com o desengate torto, nunca mais encaixo o reforço em compensado.




            Foi aí que resolvi encaixar o compensado e deixar apenas a quantidade de epóxi já colocada no nariz, espero que não me trague problemas. Coloquei o Salto na vertical com o nariz para baixo para que a cola ficasse toda concentrada no devido lugar.




          Depois de bem seco, apenas coloquei mais epóxi, porém agora no compensado, para que todo o sistema ficasse firmemente fixado ao nariz.
           
        Os problemas nunca acabam. A intenção era deixar esta segunda colagem secar bem, para depois montar o sistema com tudo fixado. Mas quando olhei bem para o desengate, percebi que tinha caído um pouco de cola na abertura que fica o pino. Imediatamente peguei um “ferrinho de dentista” e limpei o que pude. Para não correr mais risco, já iniciei em seguida o processo de montagem.




           Esta sim foi a etapa mais difícil, pois precisava encaixar um pino extremamente justo tanto na parte externa quanto no próprio gancho que faz a retenção do cabo.

       Coloquei o pino com um alicate no furo mais “frouxo”, posicionei o gancho corretamente olhando pela frente e por trás, apertei o pino até que encontrasse o outro furo. Para se ter ideia de quão apertado era, não consegui apertar o alicate com a mão por dentro da fuselagem; precisei apertar um lado por dentro, e o outro apoie na lateral do modelo e apertei por fora.




Apesar de estar descrito brevemente, este trabalho levou horas, pois em um momento o pino caía do alicate, em outro não encaixava corretamente. Após muitas tentativas obtive êxito na difícil operação. Como disse no começo, utilizar a mão não era uma opção válida, pois apenas o indicador e o dedo médio chegavam na ponta de fuselagem.

Neste ponto a maior e mais difícil parte já havia passado, restando apenas prender a linkagem antes de recolar a caverna mais próxima e não ter mais acesso adequado ao local.




Utilizei um raio de bicicleta simples para fazer esta linkagem, na ponta roscada coloquei um clévis, e na outra fiz um Z. Precisei deixa com o comprimento aproximadamente correto, pois depois de montado não haveria ajuste de comprimento, apenas via “end point” do rádio.

Como este é um comando Liga/Desliga, e não proporcional, o alinhamento da roseta do servo não é tão crítico, precisando apenas ter curso suficiente para conseguir acionar e desacionar.

       Além destas fiz várias outras modificações no planador deixando-o dentro do meu padrão de qualidade, mas como o tema deste artigo é a instalação do desengate, ficamos por aqui.

         Espero que tenha gostado, e aprendido pelo menos uma maneira de realizar trabalho difíceis em locais confinados.


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       Se você ainda ficou com alguma dúvida sobre o procedimento, ou está com dificuldade para realizar um trabalho semelhante, deixe seu comentário aqui embaixo !!!



Os primeiros passos no escala



            Depois do campeonato da semana passada, recebi muitos questionamentos sobre a iniciação no mundo do aeromodelismo escala. Onde começar? Construir ou comprar pronto? Qual o melhor caminho?

            Estes e outros pontos pretendo abordar no artigo de hoje, lembrando apenas que é um artigo de opinião, então ao conversar com outros aeromodelistas, eles podem indicar diversos caminhos. Esta é apenas a minha sugestão.




            Antes de qualquer coisa um escalista de verdade é um aeromodelista completo. Pode parecer simples, mas o que quero dizer é: não adianta ser piloto, não adianta ser montador de ARF. O princípio do escala é fazer, construir, criar...

            Mas claro, aqui me refiro a pessoas que realmente querem pôr a mão na massa e fazer o seu aeromodelo, a estes escalistas que me refiro. Conheço vários que pagam para que uma réplica perfeita seja montada por um especialista. Não que isto desabone o piloto, mas não é a respeito destes que iremos tratar aqui.

            Então o princípio de tudo é saber fazer, nem que seja parte da montagem, mas é preciso saber. Além, é claro, do conhecimento sobre como um aeromodelo funciona, sanar pequenas panes, entre outros. Sabe aquele conhecimento geral sobre o hobby? É disso que você precisa.

           Ninguém nasceu sabendo. Se ainda não tem estes conhecimentos, procure. Compre o kit de um stick, o modelo de construção mais simples que conheço. Comece você mesmo a dar manutenção nos seus aeromodelos, no início com alguma ajuda, e depois totalmente sozinho. Pesquise sobre os diferentes tipos de componentes que fazem parte de um aeromodelo, do mais simples ao mais complexo. Toda esta informação será muito útil mais para frente, e conhecimento nunca é demais.

          Detalhe: conhecimento sobre aviação tripulada e história também são de fundamental importância neste mundo.




            Bom, se você já cumpre estes requisitos, ou parte deles, podemos avançar.

            Mas antes de falarmos sobre qualquer coisa preciso lembra-los que escala é cópia, e neste caso não vale inventar, tudo precisa estar provado e documentado. Por isso antes de iniciar um projeto vale a pena buscar informações detalhadas sobre a aeronave, principalmente sobre o padrão de cor. Pesquise muito, conheça cada janela de inspeção, para só depois pôr a mão na massa e começar a reproduzir tudo isso.

            Vejo dois caminhos, um mais simples e outro um pouco mais exigente:

            O primeiro é comprar um aeromodelo construído - seja ele kit em fibra, ARF ou ARC - e fazer as modificações necessárias.

            Indo por aqui, o processo será bem mais rápido (ou menos demorado), e o construtor pode focar suas energias no acabamento e detalhes, e não gastá-la com a construção da estrutura básica.

            Claro que algumas modificações serão necessárias, pois grande parte dos kits (para não dizer todos) tem seus defeitos e limitações. Como por exemplo: não possuir portas do trem de pouso, formato da ponta de asa diferente do original, entre outras coisas simples como estas.

            Vale lembrar que neste caso a escolha do kit é muito importante, na verdade em todos os casos é, mas ao fazer um aeromodelo da planta é mais fácil modificar os “defeitos” de projeto. Já com o aero pronto isso é mais complicado e trabalhoso.

            Se o modelo for ARF, considere pintar por cima da entelagem, ou até mesmo retirar todo o material, fibrar e pintar, pois, a aparência fica infinitamente melhor, aquela “cara de aeromodelo” é superada.

            O segundo caminho é buscar uma planta, kit, ou short kit e construir o aeromodelo praticamente do zero. Para fazer isso o trabalho é bem maior e a necessidade de conhecimento também. Por isso se é seu primeiro escala, sugiro a opção número um.

            Procure por bons kits, cortados por empresas conhecidas, ou desenhados por grandes projetistas. Fuja das “novidades de mercado”, principalmente aquelas que nunca foram testadas. A não ser, é claro, que você goste de pagar para ser cobaia.

            Outra dica minha é fugir de aeros construídos por aventureiros, aqueles “construtores” sem o mínimo de conhecimento para realizar um trabalho razoável. Ampliando isso um pouco mais, eu não gosto nem de comprar itens usados dessas pessoas, quanto mais um escala construído por eles. Sempre faça negócio com quem conhece sobre o que está falando.

            Muitos podem não aceitar, mas no aeromodelismo tamanho é documento. Um aeromodelo grande é mais estável e inclusive mais fácil de voar (generalizando um pouco). Por isso, ao planejar um aero, procure fazer o maior que seu orçamento permitir. Primeiro pelo motivo explicado acima, e segundo por ser mais fácil de fazer os detalhes e agregar menos pelo relativo.

            São dois os diferenciais de um bom aeromodelo escala:

            - Outline fiel: O contorno do aeromodelo precisa ser igual à aeronave tripulada, e quanto mais próximo, mais escala é o projeto. Para isso basta comparar seu aeromodelo com um desenho três vistas do original.

            - Realismo: Ao olhar para o aeromodelo você precisar enxergar a aeronave, e para isso quanto mais detalhes, melhor. Sejam eles rebites, antenas ou mesmo a pintura. Sim, pintura. Por favor, não entele com Monokote um aero escala.


            Se a sua intenção é participar de campeonatos, recomendo, além de documentar tudo o que foi feito, pesquisar sobre as regras, pois as vezes uma simples pintura refeita já é suficiente para mudar seu aeromodelo de categoria, e consequentemente mudar todo o julgamento e exigências. Fique atento!

            ARF puros, ou seja, sem nenhuma modificação, são uma boa porta de entrada para este mundo, mas lembre-se sempre: Aeromodelo escala é uma obra de arte, não consegue ser feito nos mínimos detalhes em linha de produção. Porém, se você ainda está em dúvida se isso é para você ou não, comece por eles, quem sabe logo você se anima e começa a realmente produzir seu próprio aeromodelo.



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A fixação correta de um motor



            Ao adquirir um aeromodelo, um dos pontos principais para se atentar na montagem é a fixação do motor; pois caso este esteja torto, o mínimo que pode acontecer é o trabalho parecer ruim.

            O motor alinhado não é nenhum tipo de luxo, é apenas uma necessidade de um aeromodelo que voa “nos trilhos”. Quando fora de posição, o aero fica com tendências e com um voo pouco agradável.




            O segundo ponto importante é a estética. Quem já não viu um motor totalmente fora de posição? Isso fica mais evidente ainda quando o modelo possui cowl e spinner, por ambos ficarem desalinhados.

            Os bons kits sempre possuem a parede de fogo marcada com um X ou uma cruz, sinalizando que é ali onde a linha do eixo do motor deve estar. Porém, o centro da marcação geralmente não existe, pois ali é o local onde as mangueiras do tanque e fiação deve passar.

            Uma boa observação é que o centro do motor não deve ficar no centro geométrico da parede de fogo, pois como vimos no artigo “Motor torto, voo reto”: a parede possui ângulo de incidência, e como a base do spinner fica no centro do avião, a base do motor deve estar deslocada para esquerda. Portanto não se assuste caso as marcas, aparentemente, estiverem desalinhadas.

            Outra atenção que deve ser tomada é: o motor não pode ser deslocado para caber inteiramente dentro do cowl. Já vi instalações absurdas em que o montador colocou o motor bem para cima, pois não queria abrir a parte de baixo do cowl de um P-47 Thunderbolt. Um absurdo!

            E por favor, não instalem o motor em posição “normal” em determinados modelos. Na maioria deles o motor deve ir de ponta cabeça, com o cilindro para baixo. Já vi algumas aberrações, como aeromodelos acrobáticos com o motor parecendo de um treinador. Isso não é errado tecnicamente, mas fica feio demais.


            Bem, vamos à parte prática da instalação:


       O primeiro passo é fazer um gabarito da posição dos furos do montante ou do prolongador; o procedimento é igual para qualquer tipo de motor, seja ele elétrico, glow ou gasolina. Atente-se, pois em alguns motores o centro da hélice não está no centro geométrico dos furos (como neste exemplo). E em outros casos os pontos de fixação não estão dispostos de forma simétrica (quadrado), e sim em forma de retângulo (como neste exemplo).







           Marque em uma folha sulfite - ou se puder, em um papel vegetal, que é transparente e facilita o procedimento - posição dos quatro furos. Ligue os opostos para descobrir o centro geométrico deles. Meça a distância horizontal e vertical entre eles para traçar as linhas vertical e horizontal de referência. Note que os dois centros devem coincidir para que a marcação esteja correta.







            Neste motor, o centro do eixo não está no centro geométrico dos furos, e isso é um problema, pois precisamos descobrir qual é o deslocamento (offset) para fazer a furação corretamente. Colocamos o motor na mesa e com o paquímetro medimos as alturas e calculamos a diferença entre elas. Esta diferença foi registrada no gabarito como uma nova linha horizontal. Recomendo também anotar qual o lado de cima, para que não haja erro.


Observe o motor RCGF 26cc com o eixo fora de centro





            Com o gabarito correto em mãos, basta comparar as linhas verticais e horizontais até que fiquem na mesma posição. Caso a linha da parede de fogo seja curta demais, basta prolonga-la com um lápis.






            Marque a posição dos furos com a ponta de um estilete ou alguma outra ferramenta pontiaguda, para furar o papel. E pronto, a posição dos furos já estão definidas.

            Uma das coisas que aprendi em algum tempo montando aeromodelo é: meça duas vezes e fure/corte uma. Por isso recomendo verificar a posição dos furos antes de furar. Caso fure errado e precise deslocar apenas alguns milímetros para o lado será um grande problema, pois os furos vão se sobrepor.








            No caso deste Tractor 120 (o mesmo aconteceu com meu Tractor 25) o furo ficou exatamente na posição de uma peça, por isso precisei abrir um pouco mais a abertura já existente, para que o parafuso conseguisse entrar.








        Observação: Sabemos como utilizar um Blind Nut (porca auto-cravante), nesta aplicação ele foi usado temporariamente como espaçador, pois o motor precisava ser deslocado um centímetro para a frente.





           A recompensa de um trabalho bem executado é o eixo exatamente no centro da abertura:





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Tela e dope: Nostalgia e beleza



Não é complicado entelar com tela e dope, mas é um processo demorado, porém, fica com bom acabamento e resistente feito um avião real. Pois bem, vou explicar um pouco do processo de como eu faço.




Os materiais

Dope: Este é o nome do produto que se usa, é dope mesmo (eu não aconselho usar outra coisa), ele tem as funções de selar a madeira, colar a tela, fechar os poros do tecido, e também serve como primer.

Há dois tipos de dope: o dope normal e o dope cola, eu só uso o dope normal, na aviação real é usado o dope cola para colar a tela no ferro, pode usar no aeromodelo também, mas eu não costumo usar.

Tela: É tela de avião mesmo, a mesma usada por exemplo: nos Piper J3, PA-18, Paulistinha e ultraleve. O nome correto é poliéster termo contrátil, só pessoal especializado que vende, em lojas de tecido não tem, existe outras telas com a mesma função e característica, porém, é difícil de conseguir.

Não aconselho usar outro tipo de tecido, por exemplo tecido de vestido ou de cortina, o custo benefício não compensa. Use a tela de 75gr/m².



O processo

- Assim como quando se entela com qualquer material, precisa dar uma boa lixada na madeira e tirar todas as imperfeições, rebarbas e etc.

- Aplicar 3 demãos de dope puro (sem diluir) nas áreas onde irá encostar a tela, sempre esperar secar entre uma demão e outra, o dope seca rápido. É bom lixar com lixa bem fina entre as demãos, pois a madeira arrepia.

- Colar a tela: Use o dope puro também. Esse é o mais trabalhoso de tudo, mas nada complicado. Para colar a tela é igual colar uma figura na folha do caderno: passa dope na madeira e aplica a tela. Sobre a tela aplica dope também, onde passou dope em baixo da tela também passa em cima, ajuda a grudar a tela, eu uso o dedo mesmo, faz mais pressão do que com o pincel.

Em regiões curvas e bordas muito finas a tela não vai ficar grudada de cara; ou você fica segurando até o dope secar um pouco, ou usa alfinetes para manter a tela no lugar até o dope secar.

Assim como o Monokote deve transpassar entre 1 cm e 2 cm, a tela também precisa passar por cima da outra nas emendas e nas bordas.

Não precisa aplicar o tecido bem esticado, ele é termo contrátil e depois de colado e com o dope seco, passa o ferro que ele encolhe e fica tudo bem esticadinho.

- Para fechar os poros do tecido usa-se o dope, desta vez diluído em 50% com thinner, geralmente é o thinner 2900, mas isso depende da marca, pergunte para o fornecedor do dope.

Aplicar com pincel o dope diluído, uma camada fina sobre toda a tela, espera secar e repita o processo quantas vezes forem necessárias para fechar tudo, normalmente isso dá umas 5 demãos.

Depois de tudo seco pode lixar, use uma lixa bem fina - 600 ou mais fina - lixar tudo para tirar todo o arrepiado da tela.

- Pintura: Como eu disse no início o dope pode servir como primer também, mas apenas para tintas à base de nitrocelulose; neste caso pode pintar direto sobre o dope que não tem problema. Se for usar outro tipo de tinta, por PU por exemplo, tem que aplicar primer antes.


Para ficar bonito e com cara de avião real, deve se fazer pintura automotiva, aplicado com pistola e depois de tudo pintado, adesivos colados (se houver adesivos) passar uma camada de verniz

O verniz é necessário porque, faz parte da pintura automotiva, protege a tinta das intempéries, protege dos resíduos de óleo que saem do motor, mantém todos os adesivos colados e deixa com um acabamento com brilho top, no meu avião eu apliquei verniz alto brilho.



Os preços

A tela custa por volta de 15 reais por metro linear, você precisa calcular quantos metros vai precisar para o seu aero. Pergunte ao fornecedor qual é a largura do rolo para calcular corretamente.

A lata de dope de 3,6l custa 110 reais - o meu avião, que é um 30% - usei um pouco mais de 3/4 da lata.

A entelagem do meu avião, contando tudo: dope, tela, tintas e thinner, não passou de 450 reais.


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Espero que vocês tenham entendido todo o processo. Caso ainda tenham alguma dúvida, deixem um comentário aqui embaixo !!!



Escrito por Magno Wiese