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Usar depron em planta para balsa




            Tenho certeza que esta é a maior dúvida de todo construtor iniciante quando busca uma planta para sua próxima construção: só encontrei planta para balsa, o que faço agora? A solução para esse problema, se é que podemos chamar assim, é muito mais simples do que você pode imaginar.






            Pelo desenvolvimento histórico do aeromodelismo, posso afirmar que a imensa maioria das plantas para construção foi projetada para usar nossa nobre e querida balsa. O motivo é simples, não havia depron, somente balsa. Hoje a realidade é outra, os construtores preferem isopor e depron pela praticidade e baixo custo. Por curiosidade, uma construção em depron ou isopor custa de três a cinco vezes menos que uma em balsa e compensado.

            E no meio de tudo isso ficam os construtores, sem saber para que lado correr. É possível construir qualquer planta com material alternativo, seja ela qual for, e a beleza e a qualidade do voo são definidas única e exclusivamente pelo capricho e pela capacidade do construtor.

            A primeira e mais obvia diferença entre a balsa e o depron é a fibra – aquela característica responsável por fortalecer a balsa quanto esforçada (tracionada). E isso significa que não é possível fazer varetas de depron; na verdade é possível fazer, porém não terão resistência alguma, por isso não são indicadas.

            Porém, não entremos em pânico, varetas de FIBRA de vidro fazem muito bem essa função, e custam significativamente menos que as de balsa. Mas lembre-se de abrir sulcos de largura compatível, pois as varetas de fibra são mais finas que as de balsa.

            Para peças estruturais, como cavernas (fuselagem) e nervuras (perfil da asa) o depron substitui diretamente a balsa, basta apenas cortá-lo no formato e tamanho certos. Fique atento com a espessura, pois geralmente a peça em depron será duas ou três vezes mais grossa que a mesma em balsa; e caso essa peça tenha encaixes, será preciso adaptar.

            As empenagens ou estabilizadores (vulgos profundor e leme) devem preferencialmente ser feitos interiços, ou seja, em uma única peça e sem partes vazadas. Isso é necessário por causa da maior resistência da balsa quando varetada, já que o depron não ficaria tão resistente da mesma maneira.

            Caso ainda sim fique flexível, faça um sulco e cole uma (ou duas) vareta (s) de fibra de vidro embutida (s) na superfície.

            Para partes planas você pode colocar um pedaço de depron plano no local para simplificar a construção. Apesar de ser menos resistente, o depron é mais leve que a balsa, por isso não há mal algum em abusar na quantidade às vezes.

            Infelizmente ainda não conseguimos fugir totalmente da madeira, seja ela balsa ou compensado, pois em dois pontos que necessita de alta resistência o depron ainda não substitui: a parede de fogo (local de fixação do motor) e o berço do trem de pouso. Nesses dois locais acho extremamente necessário o uso de compensado; não tente fazer de depron que será só decepção. O compensado que me refiro não é o utilizado para fabricar móveis, e sim o compensado aeronáutico (liteply), que é bem mais leve, fino e resistente.

            Para o chapeamento também não há segredo, basta usar o depron no local da balsa; e para esse caso o depron de 2 mm é insuperável devido à sua grande flexibilidade. Se o local exigir grande resistência, use o de 4 ou 5mm mesmo, para curvar basta fazer vários cortes em paralelo até a metade da sua espessura e ir forçando com bastante paciência.

            O cowl (carenagem do motor) também pode ser feito com depron, ou mesmo com isopor cortado e esculpido adequadamente. Use um depron mais denso, pelo menos P3, o vendido comumente em papelaria é muito mole para esse serviço.

            O canopy (vidro que recobre o cockpit) pode ser feito com garrafa PET (de refrigerante) transparente, para isso faça um molde em material que resista ao calor (gesso, madeira ...), corte uma parte da garrafa para colocar o molde dentro dela, e com um soprador térmico (ou mesmo um secador de cabelo potente) vá aquecendo a garrafa até ela ficar no formato do molde, depois disso é só cortar as rebarbas e fixar no avião.

            É possível economizar com a entelagem também, em vez de usar Monokote, Oracover e derivados, use Vinitac, um material do mesmo fabricante do Contact (usado para encapar cadernos), porém é sensível ao calor, ou seja, contrai quando aquecido. Um bom secador de cabelo também é o suficiente aqui.

            No fim este artigo abordou muito mais que a simples adaptação de uma planta de balsa para depron, falamos de todos os materiais alternativos de construção. Espero que tenha sido útil e te economize muito dinheiro.



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3 comentários:

  1. O CG, devido a diferença do peso dos 2 materiais, muda. Correto?

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    Respostas
    1. Na verdade o CG continua no mesmo lugar, o que deve mudar é a distribuição dos componentes internos para que isso seja possível. Geralmente as plantas em balsa são para motores à combustão, o que já pediria algumas adaptações para ser utilizado como elétrico.

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  2. O CG é definido, inicialmente, pelo perfil alar utilizado (formato das nervuras). Se modificado, deve ser corrigido, para continuar o mesmo.
    Como as alavancas (dianteira, traseira e laterais) não se alteraram, somente o peso e distribuição do mesmo, as correções também são diferentes, em madeira ou DEPRON mas, devem ser feitas assim mesmo, mantendo-se o mesmo CG.

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